A Euforia das Estatais na Bolsa: Potencial de Valorização ou Armadilha para o Investidor?

O mercado de ações tem sido marcado por uma forte valorização de empresas estatais, com altas que chegam a quase 90% no acumulado do ano, despertando o interesse de investidores em busca de oportunidades. No entanto, o que parece ser um cenário de ganhos expressivos pode esconder riscos importantes. A euforia em torno de papéis como Copasa (CSMG3) e Sanepar (SAPR11) levou analistas a acenderem um sinal de alerta, apontando para um potencial de desvalorização que pode chegar a mais de 20%. Neste artigo, vamos analisar a fundo o que está por trás dessa alta e por que especialistas recomendam cautela, para que você possa tomar decisões de investimento mais estratégicas e bem-informadas.

Copasa (CSMG3): A Privatização Já Está no Preço?

A Copasa, companhia de saneamento de Minas Gerais, vivencia um momento atípico na bolsa de valores, com uma valorização surpreendente de 83% em 2025. Esse desempenho é impulsionado, principalmente, pela forte expectativa em torno de sua privatização, uma pauta que ganhou tração no governo de Romeu Zema. A aprovação de projetos na Assembleia Legislativa do estado abriu caminho para a desestatização, o que teoricamente poderia destravar um valor econômico significativo para a empresa.

Contudo, o otimismo do mercado não é unânime. O BB Investimentos, por exemplo, adotou uma postura mais conservadora, rebaixando a recomendação da ação para “venda”. A instituição argumenta que, embora a privatização seja promissora, as incertezas sobre se e como ela ocorrerá são tão grandes que impedem a incorporação desse evento no modelo de avaliação da companhia. Com um preço-alvo de R$ 32,30 para o final de 2026, a análise aponta um potencial de queda de 14% em relação aos valores atuais, sugerindo que o mercado pode ter se antecipado e precificado um cenário otimista que ainda não está garantido.

Sanepar (SAPR11): Crescimento Sólido Ofuscado por um Valuation Exigente?

Outro caso que merece atenção é o da Sanepar, a companhia de saneamento do Paraná, cujas ações subiram 32% no ano. Para os analistas da Genial, essa alta tornou o papel caro. A corretora manteve seu preço-alvo em R$ 28, o que representa um potencial de desvalorização de 21%. Essa visão pessimista se apoia em um valuation considerado esticado, mesmo diante da qualidade da empresa.

A análise do resultado do terceiro trimestre de 2025 reforça a cautela: o lucro da Sanepar sofreu uma queda de 34%, pressionado por eventos não recorrentes, como provisões, despesas com novas Parcerias Público-Privadas (PPPs) e ajustes contábeis. Apesar desses impactos temporários, é reconhecido que a companhia segue executando com consistência sua estratégia de crescimento e universalização dos serviços. O dilema para o investidor, portanto, é pesar a solidez operacional da empresa contra um preço de ação que, segundo os analistas, já embute grande parte das suas qualidades.

Conclusão

A análise dos casos de Copasa e Sanepar serve como um importante lembrete sobre a dinâmica do mercado financeiro. A valorização expressiva de ambas as estatais foi movida por narrativas poderosas — a privatização e a consistência operacional —, mas os preços atuais parecem ter ultrapassado os fundamentos, segundo a visão de alguns especialistas. Para o investidor focado na construção de patrimônio sustentável, fica a lição de que é crucial diferenciar o preço do valor e questionar se a euforia coletiva não está criando uma armadilha. Analisar os múltiplos, entender as premissas por trás das projeções e, principalmente, ter uma estratégia clara de gestão de risco são passos indispensáveis antes de investir em ativos que já experimentaram altas tão significativas.

Publicar comentário